Davi Paixão sempre foi poesia: versos soltos, suspiros, coração à mostra. Javão Santos era concreto: músculos, silêncio, olhar pesado.
Numa obra, Davi passava com seus livros. Javão deixou cair uma barra de ferro. “Cuidado”, rosnou.
Davi sorriu. “Você é bruto. Mas seus olhos tremem quando me vê.”
Javão desviou o olhar. “Não tremo.”
“Treme sim. E eu escrevo sobre isso.”
Ali, entre cimento e ternura, o homem duro aprendeu que o amor não pede licença — ele invade, desmonta e reconstrói. E Davi, claro, anotou tudo.

