Jay M4M e Igor Miller eram parceiros em um tipo incomum de negócio: alugavam memórias. Não as verdadeiras, mas as possíveis. Se um cliente queria lembrar como era dançar sob a neve sem nunca ter saído do deserto, eles construíam a lembrança.
Certa tarde, um homem idoso entrou na loja. Pedia uma única coisa: o cheiro do café que a mãe fazia aos domingos. Igor anotou os detalhes: caneca amarela, janela aberta, um disco de vinil arranhado ao fundo.
Jay fechou os olhos e começou a mixar sons, aromas e calor. Em minutos, a memória estava pronta.
O homem a recebeu em uma pequena cápsula de vidro. Ao ativá-la, sorriu como quem reencontra um amor antigo.
— É exatamente assim — sussurrou, com a voz trêmula.
Igor tocou o ombro do velho. Jay, sem dizer nada, acrescentou um brinde à memória: o som da mãe rindo ao derramar um pouco de café na mesa.
O homem saiu andando mais leve. Jay olhou para Igor.
— Esse aí não paga.
Igor concordou.
— Algumas memórias são de graça.
