Alexandro Cabrera vivia de prazos, agendas, metas cumpridas. Bastian Karim flutuava entre sonhos acordado, colecionando nuvens e tardes perdidas.
Numa ponte ao entardecer, Bastian pendia o corpo sobre o parapeito. Alexandro segurou seu pulso. “Vai cair.”
“Eu queria ver o rio de cabeça pra baixo.”
“Idiota romântico”, murmurou Alexandro, sem soltar.
Bastian sorriu. “Você segurou minha mão.”
“Por segurança.”
“Claro. Segurança.”
E ali, entre o rio e o céu, o homem dos números aprendeu que o amor não se calcula — ele simplesmente acontece, descalço e desmedido.

