Alejandro Pino, conhecido nas redes como hotalex6, vivia atrás de telas. Marin, a marin66, era sua rival em um jogo de estratégia. Nunca se viram, mas duelavam todos os dias.
Certa noite, o servidor caiu. No chat geral, apenas dois resistiram: hotalex6 e marin66.
“Falha técnica?”, escreveu Marin.
“Ou oportunidade”, respondeu Alejandro.
Conversaram até o amanhecer. Descobriram que moravam na mesma cidade, a poucas quadras. Combinaram um encontro. No dia seguinte, debaixo de uma árvore no parque, dois estranhos se reconheceram pelos olhos curiosos. Riram da própria timidez.
Marin tinha mania de alisar o cabelo quando mentia. Alejandro gostava de guardar bitucas de lápis como lembrança. Perfeitos, em suas imperfeições.
Trocaram senhas, números, segredos. No ano seguinte, viajaram juntos para um campeonato. Ela levou um bolo de cenoura; ele, um mapa dos lugares onde o sinal de internet falhava — os melhores, dizia, para se estar vivo.
E assim, entre cliques e lag, nasceu uma amizade que nenhuma desconexão desfez.

