Igor Miller sempre seguiu as regras. Chris Damned, nunca.
Numa noite chuvosa, Igor encontrou Chris encostado num poste, sorriso afiado.
— Você não deveria estar aqui — disse Igor.
— E você deveria? — Chris rebateu.
Igor era detetive. Chris, o fantasma que ele nunca conseguira prender. Mas naquela noite, Chris entregou uma pasta molhada.
— O verdadeiro criminoso é seu chefe. Eu só roubo para provar.
Igor abriu a pasta. Plantas, desvios, nomes. Seu mundo caiu.
— Por que me ajuda? — perguntou Igor.
Chris deu de ombros.
— Porque você ainda acredita em justiça. Isso é raro.
Quando Igor ergueu o olhar, Chris havia sumido na névoa. Restou apenas uma pegada que se apagava com a chuva.
Na manhã seguinte, Igor pediu transferência. Não para fugir — para caçar de verdade. E, do outro lado da cidade, Chris Damned sorriu ao ler o jornal.
Às vezes, o herói precisa do vilão para encontrar o caminho.

