Alejandro Pino — o hotalex6 — era mestre em desaparecer. Vivia de quartos alugados e conexões instáveis. Sean Ford, ao contrário, jamais saíra de sua cidade natal.
Conheceram-se num fórum de fotografia antiga. Sean postava imagens de paisagens desertas; Alejandro comentava com nomes de flores que só existiam nos lugares retratados.
“Como sabe tanto?”, perguntou Sean.
“Já morei em todas essas solidões”, respondeu Alejandro.
Começaram a trocar cartas — não e-mails, cartas de papel. Sean enviava sementes de girassol. Alejandro enviava pedras de rios que não lembrava o nome.
Um dia, a última carta de Alejandro chegou sem remetente. Dentro, apenas uma fotografia borrada: uma estrada de terra e um letreiro escrito “Ford, próximo saída”. No verso, um número de telefone e a frase: “Cansado de sumir. Posso ficar?”
Sean ligou na mesma hora. Dois dias depois, Alejandro desceu do ônibus com uma mochila e o mesmo ar de quem sempre esteve ali.
Não era mais um fantasma. Era, enfim, um endereço.

