Jack Emhoff & Chris Damned
O bar estava vazio, exceto pelos dois. Jack Emhoff pediu outra dose, os olhos fixos no homem de preto sentado no canto.
— Você me segue há três dias — Jack disse, sem se virar.
Chris Damned levantou a cabeça, os olhos escuros refletindo a luz fraca do balcão.
— Três dias. Você conta bem.
Jack levou o copo aos lábios.
— O que quer?
— Descobrir se é verdade.
— Se o quê é verdade?
Chris levantou-se, deslizando entre as mesas como fumaça. Sentou ao lado de Jack, próximo demais para conforto.
— Dizem que você já morreu. Duas vezes. E voltou.
Jack parou, o copo no meio do caminho.
— Dizem muita besteira.
— Dizem também que você conhece o caminho de volta.
O silêncio pairou. Jack finalmente encarou Chris, e viu algo que reconheceu: o mesmo abismo que carregava dentro de si.
— Por que quer saber?
Chris não respondeu imediatamente. Apenas pediu uma dose ao barman vazio.
— Porque estou cansado de acordar todos os dias.
Jack empurrou a bebida para ele.
— Então bebe. E esquece.
— Beber não adianta. Já tentei.
Os dois ficaram em silêncio, dois fantasmas dividindo o mesmo balcão, duas almas penduradas no fio tênue entre voltar e desistir.






