Louis Ricaute & Oskar Ivan
Oskar Ivan encontrou Louis Ricaute numa esquina de Paris, ambos a tentar desenhar a mesma árvore. Oskar usava carvão; Louis, aguarela.
– Está a chover – avisou Louis, apontando o céu.
– Já reparei – respondeu Oskar, sem tirar os olhos do papel.
A chuva chegou mesmo. Correram para o café da esquina, os desenhos encharcados. Louis suspirou, observando as cores a escorrerem. Oskar riu-se.
– Parece que a árvore está a chorar.
– Parece que o meu trabalho de três horas foi pelo cano – retorquiu Louis.
Oskar pediu dois cafés. Enquanto esperavam, Louis reparou no bloco do outro: o mesmo tronco, os mesmos ramos, mas tudo a preto e branco, mais nítido, mais forte.
– Gosto do teu traço – disse Louis, quase contra vontade.
– Gosto da tua falta de sorte – brincou Oskar.
Louis quase sorriu. Quando a chuva parou, estavam ainda a conversar. Louis mostrou fotografias das suas viagens. Oskar falou da Croácia, do mar, do cheiro a pedra quente.
– Nunca fui à Croácia – confessou Louis.
– Nunca pintei com um francês – respondeu Oskar.
Dois meses depois, receberam um convite para uma exposição coletiva. O tema era “Árvores”. Louis enviou a sua aguarela chorosa. Oskar, o seu carvão seco.
Na noite da inauguração, penduraram os quadros lado a lado.
Como se sempre tivessem estado juntos.






