Dato Foland & Nik Fros
Dato Foland odiava silêncio. Nik Fros, seu colega de cela, adorava.
Na pequena cela de detenção, o tique-taque do relógio era uma tortura para Dato, mas uma sinfonia para Nik. Dato tamborilava os dedos na parede, criando ritmos frenéticos. Nik apenas fechava os olhos, imerso no vazio.
— Você não sente? — Dato sussurrou certa noite. — O silêncio quer nos engolir.
Nik abriu um olho.
— O silêncio não engole, Foland. Ele revela.
Dato parou de tamborilar. Pela primeira vez, ouviu além do metal e do concreto: sua própria respiração, um bater de asas lá fora, o som oculto do mundo. Percebeu que o silêncio não era seu inimigo, mas o palco onde até o menor som se tornava importante.
Nik sorriu, voltando a fechar os olhos. Naquela noite, os dois dividiram o mesmo ritmo: o de não precisar fazer barulho para existir.




