Angel e Bogotá eram vizinhos de muro baixo. Ela, uma menina silenciosa que desenhava pássaros em cadernos velhos. Ele, um vendedor de frutas com um caminhão sempre cheio de cores.
Certa manhã, Bogotá jogou uma laranja sem querer no quintal dela. Angel devolveu o fruto desenhado com asas. “Pode voar agora”, disse, tímida.
Na semana seguinte, Bogotá ofereceu uma caixa de morangos. Angel devolveu a caixa com cada morango virado um pequeno beija-flor de tinta vermelha.
Ele parou o caminhão em frente à casa dela, todos os dias, trocando frutas por desenhos. Até que, num fim de tarde, ele entregou uma goiaba com um bilhete: “Quero voar com você.”
Angel sorriu e desenhou um pássaro enorme, com dois lugares no dorso. E assim, sem sair do lugar, os dois partiram juntos — ele com seus cheiros de terra, ela com suas cores soltas no ar.

