Shamu Rhyheim Shabazz encostou-se ao balcão da pequena livraria, os dedos percorrendo lombadas empoeiradas. O cheiro de papel velho misturava-se ao incenso que queimava no canto.
— Está procurando algo específico? — perguntou uma voz calma.
Ele se virou. Do outro lado do balcão, Shamu Azizam o observava com olhos que pareciam guardar séculos.
— Um livro que meu avô costumava ler. Perdi o título, mas lembro da capa azul.
Azizam assentiu lentamente. — Muitas coisas se perdem. Algumas voltam.
Rhyheim Shabazz franziu a testa. — O senhor acredita nisso?
— Eu vivo isso. — Azizam abaixou-se, pegou um livro de capa desgastada e azul-petróleo e o colocou sobre o balcão. — É este?
O silêncio durou alguns segundos. Rhyheim Shabazz tocou a capa como quem reencontra um fantasma.
— Como sabia?
Azizam sorriu. — Porque você não é o primeiro Shamu a procurá-lo.
E naquele instante, dois homens que dividiam o mesmo nome entenderam que herdar um nome é também herdar as perguntas que ele carrega.
