O ginásio estava vazio, exceto pelo eco das próprias sombras. HardTomXXX ajustou as luvas, o olhar fixo no saco de pancadas que balançava como um pêndulo cansado.
— Você veio mais cedo — disse uma voz atrás dele.
CurvedKing saiu da penumbra, sem uniforme, sem pressa. Apenas os olhos brilhando como carvão aceso.
— Sempre venho quando ninguém está olhando — respondeu HardTomXXX, sem se virar. — O que quer?
CurvedKing deu a volta lenta, parando a poucos passos. — Saber se você ainda lembra quem era antes de virar um número na internet.
A frase cortou o ar. HardTomXXX finalmente baixou as mãos.
— Isso não existe mais.
— Existe. — CurvedKing aproximou-se e bateu levemente no peito do outro. — Aqui dentro existe.
O silêncio pesou como um golpe. Então, sem aviso, HardTomXXX sorriu — um sorriso pequeno, quase perdido.
— Senta aí, velho amigo. Vamos conversar.
E naquele ringue vazio, dois nomes de guerra se lembraram de que, por trás de qualquer máscara, sempre há um rosto.
