Marcos Quinho era poeta de palavras guardadas. Khai Victor, dançarino de passos soltos. Cruzaram-se num ônibus noturno.
— Seu caderno caiu — disse Khai, devolvendo os versos.
Marcos corou. Leu um poema em voz baixa. Khai sorriu e, sem aviso, começou a dançar no corredor vazio.
— É assim que respondo — explicou, ofegante.
Desceram no mesmo ponto. A lua clareava a calçada. Khai segurou a mão de Marcos.
— Me ensina a escrever? Eu te ensino a dançar.
Marcos apenas apertou os dedos entre os seus. E ali, entre o ritmo e a rima, o amor encontrou seu compasso.
