Dan Saxon & DeAngelo Jackson – Cumming home for Christmas
O ringue estava vazio quando Dan Saxon entrou no ginásio abandonado. As luzes piscavam, teimosas, e o cheiro de suor velho ainda pairava no ar.
— Atrasado — a voz veio das sombras.
Dan sorriu, jogando a mochila no chão.
— Você que chegou cedo, DeAngelo. Sempre o certinho.
DeAngelo Jackson emergiu da penumbra, imponente, os olhos fixos no antigo rival. Vinte anos desde a última luta. Vinte anos desde que Dan desapareceu.
— Por que me chamou aqui?
Dan começou a enrolar as ataduras nas mãos.
— Sinto falta.
— De quê? De apanhar?
— De você.
O silêncio pesou. DeAngelo cruzou os braços, o corpo ainda esculpido como nos velhos tempos.
— Dan…
— Eu sei. — Dan levantou as mãos enfaixadas. — Sei que errei. Sei que sumi. Mas hoje acordei e pensei: se eu morrer amanhã, quero ter trocado mais um round com você.
DeAngelo respirou fundo. Depois, lentamente, começou a enrolar as próprias ataduras.
— Só um round.
— Só um.
Os dois subiram no ringue. O primeiro golpe foi leve, quase um toque. O segundo, mais forte. No terceiro, estavam rindo como garotos.
Fora do ginásio, a noite caía. Dentro, dois velhos amigos se reencontravam.






