Johnny Viper e The Occitan Prince acordaram nesse domingo para fuder gostoso

Nas vielas de Porto Alegre, Johnny Viper vendia discos de vinil. O Príncipe Occitano apareceu numa tarde cinzenta, procurando raridades.
— Tens algo de Cátia Cerne? — perguntou, com sotaque cantado.
Johnny riu, mostrando um sorriso torto.
— Gajo, isso é Portugal. Aqui é sul, é Rock.
O príncipe voltou no dia seguinte. E no outro. Falavam de fado e tango, dos Pirineus e do Guaíba.
— Por que voltas sempre? — Johnny perguntou.
O príncipe tocou-lhe a mão sobre a capa de um disco do Lupicínio.
— Porque tu és a minha raridade.
Johnny sentiu o peito aquecer. Nasciam ali, entre canções e geografias distantes.
No inverno seguinte, o príncipe não voltou para a sua terra. Ficou na cidade do sul, dividindo cafés e discos.
— Os outros príncipes que me perdoem — dizia, com a cabeça no ombro de Johnny —, mas o meu reino é aqui.
E nos braços um do outro, descobriram que o amor não tem fronteiras. Apenas encontra a sua casa e nela decide ficar, para sempre.






