Greudyn Pena, Dane Renner, Holden Beau

Greudyn Pena herdou da avó o dom de ler as pessoas pelos olhos. Dane Renner herdou do pai o silêncio de quem aprendeu cedo que palavras machucam.
Encontraram-se num ponto de ônibus, às seis da manhã. Ela ia para o hospital, ele para a obra. Trocaram um olhar e nada mais.
No dia seguinte, ele chegou com café. Ela aceitou sem perguntar.
Holden Beau observava tudo da padaria em frente, onde tomava seu expresso antes do trabalho. Viu quando o café virou sanduíche dividido. Quando o sanduíche virou conversa. Quando a conversa virou encontro marcado.
Uma semana depois, Holden atravessou a rua.
“Vocês dois vão ficar nessa dança pra sempre ou alguém vai pedir um número de telefone?”
Greudyn corou. Dane sorriu, raro.
“Já tenho o dela”, disse, baixo.
Holden riu, balançou a cabeça e voltou para seu café.
No inverno seguinte, Holden recebeu um convite de casamento. Dentro, uma foto do ponto de ônibus, com um coração desenhado sobre os dois.
E um bilhete: *“Obrigado por atravessar a rua.”*
Holden guardou o convite na carteira. E aprendeu que o amor, às vezes, só precisa de alguém que acorde cedo e saiba reconhecer um começo.




