Emilianoterra Flip-Fuck with Julian (oxjmodel)

Emilianoterra Flip-Fuck era o nome que Emiliano usava nos palcos. Performances de rua, malabarismos com fogo, quedas fingidas que faziam as crianças rir e os adultos prender a respiração. Dizia que o nome era um poema absurdo, como a vida.
Julian, conhecido como oxjmodel nas redes, posava para fotografias onde nunca sorria. Olhar vazio, corpo perfeito, alma em modo de espera. Ganhava a vida a parecer que não queria nada.
Encontraram-se numa feira, junto às barracas de algodão doce. Emiliano acabara um número, o suor a brilhar na pele. Julian passava, óculos escuros mesmo sem sol.
— Gostas de fogo? — perguntou Emiliano, a apagar as tochas.
— Gosto de coisas que queimam — respondeu Julian, parando.
— Então olha.
Emiliano acendeu uma tocha outra vez. Fez rodopiar o fogo, desenhou círculos no ar quente. Julian tirou os óculos.
— Sabes — disse —, nas fotos, pedem-me sempre para parecer que não sinto nada.
— E sentes?
Julian olhou para o fogo, para as mãos que o controlavam, para o homem que dançava com ele.
— Agora sinto.
Emiliano apagou a chama. Ficaram frente a frente, a feira a fervilhar à volta.
— Queres aprender? — perguntou Emiliano.
— Quero experimentar tudo o que arde.
E nessa noite, entre fogos e poses esquecidas, descobriram que há amor que não precisa de nome — só de chama.




