Tomas Friedel & Dennis Reed

Tomas Friedel encontrou Dennis Reed no velho cais ao entardecer, a luz dourada pintando as tábuas de madeira.
— Há cinco anos — disse Tomas, sem encará-lo.
Dennis acenou com a cabeça, as mãos nos bolsos do casaco surrado.
— Cinco anos desde que fugiste, levando o que era meu.
O vento marítimo balançou as cordas dos barcos vazios. Nenhum dos dois se moveu.
— Não foi bem assim — respondeu Tomas, finalmente virando o rosto. — Salvei o que era nosso. Investi, trabalhei, devolvi cada centavo com juros.
Dennis riu sem humor.
— E o que fizeste com o resto? Com a parte que era minha?
Tomas tirou um envelope do bolso interno, grosso e amarelado.
— Comprei o barco que sempre quiseste. O *Estrela do Norte*. Está ancorado ali.
Apontou para a embarcação branca que balançava suave adiante. Dennis apertou os olhos, os dedos tremendo ao pegar o envelope.
— Só preciso de um sócio — acrescentou Tomas, sorrindo pela primeira vez. — O mar está aí para recomeços.
Dennis guardou o envelope, estendeu a mão e, por um longo instante, dois velhos amigos selaram o acerto em silêncio.






