Peralta Silva e Renan Mesquitta fudendo e gemendo

A farmácia de plantão estava vazia, salvo pelos dois. Peralta Silva encostou no balcão, olheiras fundas, comprando Dorflex. Renan Mesquitta, atrás do balcão, embalava o remédio devagar.
— Noite difícil? — Renan perguntou.
— Insônia crônica. E você, sempre trabalha assim tão tarde?
— Sempre. Alguém precisa estar aqui quando os insones aparecem.
Peralta riu, um riso cansado que fez Renan sorrir também.
— Volta amanhã — disse Renan, entregando a caixa. — Pra me contar se melhorou.
Na noite seguinte, Peralta voltou. Não comprou nada. Ficaram conversando até as três da manhã, entre clientes que entravam pra comprar camisinha e xarope.
— Você é estranho — Renan comentou. — Voltar numa farmácia de madrugada só pra ver um farmacêutico.
— E você é mais estranho ainda — Peralta rebateu. — Ficar feliz por um insom te fazer companhia.
Renan apoiou o queixo na mão.
— É que você tem um sorriso bonito. Merece companhia.
Peralta corou.
— Você também merece alguém que fique acordado por você.
Seis meses depois, dividiam o mesmo apartamento. E, toda noite, Renan fazia chá pra Peralta dormir. E, toda noite, Peralta esperava Renan voltar do trabalho pra só então conseguir fechar os olhos.






