Gael kRiok and Ander Vizallati
A chuva fina de outubro empapava as folhas caídas na praceta, um tapete molhado que abafava os passos. Gael Kriok encostou-se à parede de tijolo à vista, os olhos a percorrerem as janelas iluminadas do terceiro andar.
— Estás a ver o que eu estou a ver? — murmurou, sem desviar o olhar.
Ander Vizallati ajustou o capuz, protegendo-se da chuva. Seguiu a direção do olhar do amigo.
— A janela aberta. Sei.
— Há três horas que está assim.
Ander assobiou baixinho.
— Ou ela quer que entremos, ou alguém se esqueceu.
Gael afastou-se da parede, a decisão tomada.
— Vou subir.
— És doido? Aquilo é terceiro andar, Gael. E a fachada está toda molhada.
— Por isso mesmo. Ninguém espera que um doido tente.
Ander suspirou, o hálito quente a formar uma nuvem passageira. Depois tirou as luvas, guardou-as no bolso.
— Então vamos os dois. Se caímos, caímos juntos.
Gael sorriu, um lampejo rápido no meio da noite fria.
— Sempre o romântico, Vizallati.
— Sempre o idiota, Kriok.
E os dois avançaram para a sombra do edifício, onde a aventura os esperava.




