Filou Fitt fucks Angel Elias
Filou Fitt encontrou o pássaro caído na calçada, asas abertas como um guarda-chuva quebrado. Era uma pequena coisa azulada, ofegante.
— Você está num mau caminho, amigo — murmurou Filou, agachando-se.
Ele o levou para casa, acomodando-o numa caixa de sapatos. O pássaro não comia, não bebia. Apenas olhava para a janela com seus olhos miúdos e pretos. Angel Elias, seu vizinho do andar de cima, apareceu na porta naquela noite.
— Ouvi um pássaro — disse Angel, os olhos tão miúdos e pretos quanto os da criatura. — O meu.
Filou estranhou a coincidência, mas deixou-o entrar. Angel pegou o pássaro com uma delicadeza absurda para seus dedos grossos.
— Ele foge, às vezes. Obrigado.
Quando Angel saiu, Filou percebeu que nenhum deles tinha asas. E, no entanto, algo naquela visita lhe deu a estranha sensação de que ambos, o homem e o pássaro, poderiam simplesmente abri-las e sumir no céu escuro.






