Daniel Zambrano e Camilo Lopez
Daniel Zambrano e Camilo Lopez se conheceram em uma oficina de restauração de livros, onde ambos disputavam o mesmo exemplar de *Cem Anos de Solidão*. Camilo venceu por pouco, mas devolveu o livro no dia seguinte com uma rosa seca entre as páginas.
“Páginas amareladas combinam com você,” disse, com um sorriso que Daniel aprendeu a guardar na memória.
Daniel, meticuloso e quieto, demorou semanas para retribuir o gesto. Quando finalmente o fez, entregou a Camilo um pequeno caderno encadernado à mão, com a primeira página em branco.
“Para você escrever sua própria história,” explicou, desviando o olhar.
Camilo aceitou, mas devolveu no dia seguinte. Na página em branco, escreveu apenas: *”Era uma vez Daniel e Camilo. O resto ainda está sendo escrito.”*
Daniel riu, algo que não fazia há anos.
E assim, entre papéis e tintas, dois restauradores de histórias descobriram que algumas narrativas não precisam de conserto — apenas de coragem para serem vividas.




