Alejo Ospina fucks Zarataco

Alejo Ospina encontrou Zarataco numa biblioteca empoeirada. Ela era a bibliotecária de olhar grave que nunca ria. Ele, o poeta que vivia de pão e versos.
— Este livro está atrasado há três anos — disse ela, apontando um exemplar de Neruda.
— Precisava do tempo para entender o amor — respondeu ele.
Zarataco quis censurá-lo, mas algo naquela frase desarmou sua armadura. Alejo notou o breve tremor em seus dedos.
No dia seguinte, voltou. Não com o livro, mas com um poema escrito em um guardanapo. Ela leu em silêncio, e pela primeira vez, sorriu.
— Ainda vai pagar a multa — disse ela, guardando o papel no bolso do avental.
Mas seu olhar já contava outra história. E Alejo, que sabia das palavras, entendeu que alguns débitos não se pagam com dinheiro, mas com a paciência de quem espera três anos por um amor que sempre esteve ali, entre estantes e silêncios.




