AfroBlackXXX intense flip fuck with RafaelSpain

AfroBlackXXX era o nome de guerra. Nos palcos, sob as luzes estroboscópicas, era um furacão de batidas e suor. Fora deles, chamava-se Kwame e vivia num silêncio que poucos entendiam.
RafaelSpain desenhava labirintos para uma empresa de jogos. Passava os dias a criar becos sem saída, portas falsas, caminhos que não levavam a lado nenhum. À noite, procurava uma saída.
Conheceram-se numa madrugada de chuva, num café 24 horas. Kwame tinha acabado um concerto, a energia ainda a vibrar-lhe nos ossos. Rafael estava no canto, a desenhar num caderno, o café frio intacto à sua frente.
— Gostas de música? — perguntou Kwame, sentando-se sem convite.
— Gosto de silêncio — respondeu Rafael, sem levantar os olhos.
— Eu também. Mas há silêncios que doem.
Rafael olhou para ele. Viu o cansaço atrás do brilho.
— E os teus?
Kwame sorriu, triste.
— Os meus dançam. Mas não param.
Rafael mostrou-lhe o caderno. Páginas e páginas de labirintos.
— Desenho prisões bonitas — disse. — Mas nunca a chave.
Kwame pegou no lápis dele. No centro de um labirinto, desenhou uma porta.
— Fica — disse. — Saímos juntos.
Rafael ficou. E descobriu que, às vezes, a saída não é um lugar. É uma mão que se estende no meio da noite.




