Adam Russo, Lance Charger e Lucas Leon eram ladrões de estrelas. Não as do céu, mas as que brilhavam nos letreiros de cinemas antigos. Cada missão era uma noite: escalar fachadas, desaparafusar lâmpadas apagadas e salvar um pedaço de luz que ia se perder.
Certa madrugada, encontraram um letreiro prestes a ser demolido. O nome do filme estava ilegível, mas as molduras de ferro ainda guardavam forma.
— Leva tudo — disse Lance, já com a chave inglesa em punho.
Lucas, mais cuidadoso, fotografou cada letra caída.
Adam, porém, apenas encostou a testa no metal frio.
— Escutem — sussurrou.
Dentro da estrutura enferrujada, algo tilintava. Não era o vento. Era o eco de uma plateia inteira aplaudindo, décadas atrás.
Os três se entreolharam. Em vez de desmontar o letreiro, sentaram-se na calçada e ficaram em silêncio até o sol nascer.
No dia seguinte, a demolição aconteceu. Mas Adam, Lance e Lucas já tinham levado o que realmente importava: não as lâmpadas, mas a lembrança de um aplauso que ninguém mais ouviria.
