Rico Marlon era o homem mais rico da cidade, dono de arranha-céus e de um coração pequeno. Randhy Junior, um menino que vendia balas no sinal, parava todos os dias em frente ao seu carro importado.
— Moço, quer comprar uma bala? — perguntava Randhy, com a voz doce.
Rico Marlon nem olhava. — Sai daqui, pivete.
Até que um dia, o carro de Rico quebrou no meio da avenida. Randhy Junior se aproximou com uma caixa de ferramentas surrada.
— Meu pai era mecânico. Deixa eu ver.
Rico riu, mas deixou. O menino mexeu nos fios por cinco minutos e o motor pegou.
— Quanto te devo? — perguntou Rico, surpreso.
Randhy sorriu. — Uma bala. Mas não a que eu vendo. Uma daquelas que a gente ganha de presente.
Rico Marlon abriu o porta-luvas. Não tinha bala. Tinha um cheque assinado em branco. Entregou ao menino.
— Compra a fábrica inteira.
Randhy devolveu o cheque. — Prefiro um sorvete. O senhor pode me levar?
Rico hesitou, depois abriu a porta. Foi o primeiro passeio que não tinha preço.

