Big Boy Joey era um ex-lutador temido nos ringues, agora dono de uma pequena lancheria. Gabriel Cross, um violinista magro de olhar distante, parava todas as noites na calçada em frente para tocar.
— Isso incomoda meus clientes — reclamou Joey, na primeira noite.
Gabriel pediu desculpas e recuou um passo. Na segunda noite, tocou mais baixo. Na terceira, Joey jogou um sanduíche na sua caixa de instrumentos.
— Come. Músico de fome não afina direito.
Gabriel hesitou, depois aceitou. Passou a tocar todas as noites, e Joey passou a deixar um prato extra no balcão. Os clientes reclamavam menos e escutavam mais.
Um ano depois, Gabriel conseguiu uma vaga numa orquestra. Na despedida, tocou uma valsa lenta. Joey, enorme e desengonçado, levantou-se e estendeu a mão.
— Me ensina a dançar isso?
Gabriel sorriu. — Siga meus passos.
E dançaram. O lutador e o violinista. No meio da lancheria vazia. Foi o golpe mais bonito que Joey já desferiu.

