Max Born era um físico teórico acostumado a equações que descreviam o universo. John Hill era seu novo vizinho, um jardineiro que falava mais com as plantas do que com pessoas.
— O senhor acredita que tudo pode ser reduzido a números? — perguntou John, arrancando ervas-daninhas.
Max ajustou os óculos. — Até o crescimento das suas flores segue leis estatísticas.
John sorriu e plantou uma semente no chão batido do quintal de Max. — Então me explique esta: todas as manhãs, essa semente se move três centímetros em direção ao sol. Calcule o caminho dela até amanhã.
Max passou a noite fazendo cálculos, mas cada equação falhava. Na manhã seguinte, a semente estava exatamente onde John havia previsto: virada para o leste, mas num vaso novo que Max não lembrava de ter comprado.
— Impossível — murmurou o físico.
— Imprevisível — corrigiu John. — Nem tudo precisa de fórmula, amigo. Às vezes, só precisa de cuidado.
Max Born guardou o caderno e, pela primeira vez, apenas observou o sol nascer.

