LE – Bastian Karim Rides Louis Ricaute’s Alpha Meat

Bastian Karim chegou à vila num dia de nevoeiro. Trazia uma mala pequena e um acordeão. Ninguém sabia de onde vinha. Ele também não dizia.
Na praça, sentou-se num banco e começou a tocar. As notas saíam lentas, como quem pede licença. Dona Júlia abriu a janela. Seu António parou a enxada. As crianças aproximaram-se, quietas.
– Que música é essa? – perguntou uma menina.
Bastian sorriu, mas não respondeu. Continuou a tocar.
No dia seguinte, voltou. E no outro. Sempre ao mesmo banco, sempre a mesma melodia que parecia contar uma história sem palavras.
Ao fim de uma semana, a vila já se habituara. Os pães saíam mais cedo do forno para que Dona Júlia pudesse ouvir. Seu António levava café num copo de plástico. As crianças sentavam-se em círculo.
– Toca outra vez – pediam.
E ele tocava.
Um mês depois, a mala continuava fechada. O acordeão, não. E a vila, que nunca precisara de forasteiros, descobriu que precisava de Bastian Karim.
Nunca souberam o seu nome completo. Bastian, só. Karim, disseram-lhe depois, significava “generoso” na terra donde ele viera.
E era mesmo.






