Ruggery Valdivia and Gino Zanetti fuck

A mesa de madeira rangeu quando Ruggery Valdivia apoiou os cotovelos. Do outro lado, Gino Zanetti girava um cálice vazio, os olhos fixos na janela enevoada.
— Você sabe por que estou aqui — Ruggery disse, a voz baixa.
Gino desviou o olhar da chuva lá fora. Tinha olhos de quem já viu muito, mas preferia esquecer.
— Sei. A encomenda.
— A encomenda, não. O que veio com ela.
Silêncio. O café na xícara de Ruggery esfriava. O relógio na parede marcava sempre a mesma hora, parado há anos.
Gino limpou a boca com o dorso da mão.
— Eu não sabia o que tinha dentro.
— Sabia, sim. Você sempre sabe, Gino. Por isso te pagam.
Gino baixou a cabeça. Os dedos tamborilaram na mesa, nervosos.
— O que você quer de mim?
Ruggery levantou-se. A cadeira arrastou no assoalho, um som áspero, definitivo.
— Quero que me leve até ele.
— Não posso.
— Pode, sim. E vai.
Gino ergueu os olhos. Nos olhos de Ruggery, não havia ameaça. Havia algo pior: uma calma antiga, de quem já enterrou gente demais.
A chuva apertou lá fora. Gino pegou o guarda-chuva encostado na parede.
— Vamos — disse.




