O reformado celeiro nos arredores da cidade tinha cheiro de madeira velha e promessas novas. Megan Maiden ajustava os últimos detalhes da exposição quando ouviu passos.
– Podemos ajudar? – duas vozes perguntaram em uníssono.
Damien Stone carregava esculturas de pedra. Nicholas Ryder trazia telas abstratas. Megan, fotógrafa de almas esquecidas, os observou por trás da câmera. Clic.
– Paralisados – ela sorriu. – Perfeitos.
Durante a semana que antecedeu a abertura, os três dividiram o espaço. Damien esculpia, Nicholas pintava, Megan registrava. Entre um café e outro, nasceu algo que nenhuma arte conseguia explicar.
Na noite da vernissage, o celeiro lotou. Mas nos fundos, longe dos olhares, os três artistas se encontraram.
– E agora que acabou? – Nicholas perguntou.
Damien segurou a mão dele. Megan encostou o ombro em ambos.
– Quem disse que acabou?
A cidade pequena nunca entendeu direito. Mas no celeiro reformado, três assinaturas dividiam o mesmo contrato de aluguel. Três camas num só quarto. Três corações num só ritmo.
Amor, pra eles, nunca foi questão de quantidade. Só de caber.




