Igor Miller & Gal Anteby
Igor Miller desembarcou em Israel com uma mochila e o coração apertado. Gal Anteby servia café no quiosque da esquina, os olhos verdes como o mar de Netanya.
No primeiro dia, Igor pediu café e apontou para o sol.
— Sempre faz tanto calor assim?
Gal sorriu, inclinando a cabeça.
— Isso é frio pra gente. Você vai sofrer.
Igor voltou no dia seguinte. E no outro. Gal já separava o café assim que via a camisa azul dele na esquina.
— Você gosta de sofrer? — provocou.
— Gosto de você.
Ela apoiou o queixo na mão, os olhos brincando.
— Sabia que meu nome significa “onda” em hebraico?
— E o meu significa “guerreiro”.
— Então cuidado pra onda não te levar.
Duas semanas depois, Igor encontrou Gal sentada nos degraus da obra, o avental ainda amarrado.
— Esperando alguém?
— Esperando um guerreiro bobo que não aprendeu a nadar.
Igor sentou ao lado. A noite de Tel Aviv vibrava, mas eles estavam em silêncio, imóveis, como se o tempo tivesse parado.
— Me ensina a nadar? — pediu.
— Me ensina a suportar o inverno?
Igor riu, pegou a mão dela.
— A gente aprende junto.
Gal apoiou a cabeça no ombro dele.
— Então não tem pressa.




