Felippe Masson and Alejo Ospina
Felippe Masson era engenheiro, vivia entre plantas e cálculos. Alejo Ospina operava a retroescavadeira, movendo terra e horizontes.
Seus mundos não se tocavam até o dia em que a máquina de Alejo quebrou bem no meio da fundação. Felippe desceu da sala técnica com a pasta embaixo do braço, achando que era mais um problema.
— Precisa de ajuda?
Alejo limpava a graxa das mãos, o macacão sujo de barro.
— Se entende de máquina, doutor?
— Entendo de fazer funcionar.
Felippe ajoelhou-se, enfiou a cabeça no motor e pediu ferramentas. Alejo alcançava cada uma, os dedos roçando os dele. Quando o motor rugiu, ambos riram, sujos de óleo e cumplicidade.
— Me ensina um dia desses? — perguntou Alejo, os olhos curiosos.
— Só se me ensinar a operar essa monstra.
Alejo sorriu, apontando a cabine.
— Sobe aí.
Subiram. A tarde caiu devagar enquanto Alejo explicava alavancas e Felippe fingia prestar atenção. Na verdade, observava o perfil do outro contra o sol poente.
— Tá me olhando, doutor.
— Tô. Problema?
Alejo desviou o olhar, o sorriso teimoso.
— Problema nenhum.
Na segunda-feira, Felippe chegou com dois cafés. Alejo esperava, sentado na escavadeira.




