Tony Genius gets fucked by Steve Rickz

Tony Genius era um peso na cidade. Não um peso ruim, mas aquele tipo de presença que fazia os parafusos das coisas se apertarem sozinhos, as engrenagens sorrirem. Era um fazedor. Se você precisasse de um sistema de irrigação que também tocasse jazz, de um carrinho de cachorro-quente movido a energia solar e otimismo, ou de um aplicativo que conectasse pessoas solitárias com árvores centenárias que precisavam de conversa, você procurava Tony. Ele vivia na “Garagem das Maravilhas”, uma casa vitoriana virada de ponta-cabeça, cheia de invenções meio terminadas e uma energia de criança que nunca esfriou. Seu cabelo era uma nuvem de cachos desgovernados, seus óculos estavam sempre no topo da cabeça, e seu sorriso era uma ferramenta que desmontava qualquer ceticismo. Ele era caos puro, mas um caos que criava coisas. Coisas maravilhosas.
Steve Rickz, por outro lado, era o contenção. O mecânico da “Rickz & Filhos – Reparos com Certeza”, a oficina mais confiável da cidade. Se Tony era o salto no escuro, Steve era o chão firme. Ele consertava o que Tony, às vezes, quebrava por excesso de ambição. Seu mundo era de manuais, de torque correto, de prazos que eram cumpridos, de “se não está quebrado, não mexe”. A oficina dele cheirava a óleo limpo e honestidade. Era um homem de poucas palavras, mãos fortes, e um coração enorme que ele mantinha guardado atrás de uma carapaça de pragmatismo. O “& Filhos” da placa era uma herança do pai; Steve era solitário como uma chave de roda sobressalente.
O destino, como um projeto mal diagramado de Tony, os uniu por causa de uma kombi 1972.
Tony comprou a kombi, batizando-a de “Galáxia Móvel”, com o plano de transformá-la em um laboratório/estúdio de podcast ambulante. Naturalmente, no primeiro teste, o motor soltou uma fumaça azul dramática e morreu a dois quarteirões da oficina de Steve.
Steve ouviu o estrondo e o suspiro dramático do lado de fora. Encontrou Tony deitado no asfalto ao lado da kombi, olhando para o fundo do veículo como se estivesse tendo uma crise existencial.
“Ela perdeu a fé no futuro”, anunciou Tony, sem se levantar.
Steve esfregou a têmporas. “O carburador tá inundado. É só isso.”
Tony se levantou num pulo, os olhos brilhando. “Carburador! Que palavra linda! Soletra como ‘coração’, sabia? Cor-a-ção. Car-bu-ra-dor. É poesia mecânica!”
Steve não sabia o que fazer com aquilo. Mandou o reboque. A kombi entrou na sua oficina ordenada como um animal selvagem e colorido invadindo um mosteiro.
Os dias seguintes foram um tormento delicioso para Steve. Tony aparecia a cada hora com um “upgrade” para a kombi. “Steve, e se a gente colocar um mini-fogão movido ao calor do escapamento? Dá pra fazer café em movimento!” “Steve, olha esse drone que eu modifiquei para passar ferramentas! Ele se chama Passa-Chave!”
Steve resmungava, praguejava, mas… consertava. E, escondido, começou a achar graça. A energia de Tony era contagiosa. Era como ter um raio de sol preso na oficina, quente e incômodo, mas que fazia tudo parecer mais vivo.
Tony, por sua vez, ficou fascinado pela quietude de Steve. Pela forma como suas mãos resolviam problemas sem alarde. Pelo modo como ele guardava cada parafuso em potinhos milimetricamente organizados. Tony, cuja mente voava a mil por hora, descobriu um prazer inesperado em apenas ficar parado, vendo Steve trabalhar, em silêncio.
A amizade (se é que podia se chamar aquilo) floresceu entre gasolina e ideias malucas. Tony trazia almoços exóticos que ele mesmo tentava cozinhar (sempre desastrosamente). Steve trazia café forte e silêncio para Tony pensar. Tony ensinou Steve a ver o “potencial” nas coisas. Steve ensinou Tony o valor de um “parafuso bem apertado”.
O momento da virada foi o primeiro inverno. Um frio cortante chegou, e o sistema de calefação da “Garagem das Maravilhas” de Tony (um invento que usava calor de compostagem e velas) falhou catastróficamente. Tony apareceu na oficina de Steve, tremendo, com os lábios azuis, abraçando um protótipo de aquecedor a energia eólica que parecia uma ventarola assustada.
“Steve”, ele disse, os dentes batendo. “A física me abandonou.”
Steve não disse nada. Desligou as ferramentas, limpou as mãos. “Vem.”
Ele levou Tony para o apartamento simples e imaculadamente arrumado em cima da oficina. Acendeu um aquecedor comum, velho e eficiente. Enrolou Tony em um cobertor pesado. Fez sopa. A coisa mais comum do mundo.




