Screwing my Neighbor – Rico Marlon and Kallelxx
Na megalópole de Nova Calcutá, onde o luxo de elite brilhava nos andares superiores e a miséria fermentava nas ruínas subterrâneas, dois reinos coexistiam, ignorando-se mutuamente.
Rico Marlon era o “Rei do Lixo”. Não um mendigo, mas um magnata. Dono da “Marlon Reciclagem & Recuperação – MRR”, ele controlava uma frota de zumbis mecânicos que vasculhavam os depósitos de resíduos da cidade, extraindo metais preciosos, polímeros raros e componentes eletrônicos de última geração do entulho dos ricos. Rico era um homem grande, de mãos calejadas que podiam desmontar um mainframe ou quebrar uma briga com igual eficiência. Seu palácio era um armazém cavernoso no subnível 7, iluminado por néons recuperados, cheio do cheiro de óleo queimado, plástico derretido e oportunidade. Ele era prático, duro, e seu coração, diziam, era feito do mesmo aço inoxidável que ele vendia.
Kallelxx (pronuncia-se Kalé) era um mito digital. Um “Ghost Hacker” do mais alto calibre, especializado em invadir sistemas de segurança corporativa não para roubar dados, mas para plantar “jardins” – códigos autorreplicantes e belos que desenhavam flores fractais nas firewalls e tocavam sinfonias de dados corrompidos nos servidores. Ninguém sabia seu rosto ou nome real. Seu avatar era uma figura andrógina de luz cian e cabelos de dados fluidos. Ele vivia nos interstícios da rede, um fantasma que assombrava o mundo limpo e ordenado de cima com pura, inútil e deslumbrante arte do caos. Seu reino era imaterial, frio e solitário.
Seus mundos colidiram por causa de um “corpo”. Um dos robôs-catadores de Rico, um modelo antigo apelidado de Rasga-Tudo, encontrou um terminal neural de última geração, um *Cortex-9*, quase intacto em uma pilha de lixo eletrônico de um laboratório de neurociência. Era um hardware de sonho, capaz de processar informações em velocidade quase biológica. Rico, sabendo de seu valor, tentou vendê-lo no mercado negro digital.
Kallelxx interceptou a oferta. O *Cortex-9* era a peça que faltava para um de seus projetos mais ambiciosos: um “Jardim do Éden” digital, uma simulação autorregenerativa de beleza pura. Ele contatou o vendedor, usando camadas e camadas de criptografia.
Anonimato: Tenho interesse no item C-9. Preço?
MRR: 500k créditos. Entrega física. Só em pessoa.
Anonimato: Impossível. Transferência digital.
MRR: Nada é impossível. Venha ao Armazém 7-G, Docas de Ferro Velho. Amanhã, 23h. Venha ver a mercadoria.
Foi uma armadilha tosca, mas Kallelxx estava desesperado. E intrigado. Quem era esse vendedor que insistia no mundo físico? Usando um shell corporal descartável – um androide de serviço básico que ele hackeou e controlou remotamente –, Kallelxx desceu aos subníveis.
O Armazém 7-G era uma catedral do descarte. Kallelxx (no corpo robótico desengonçado) caminhou entre montanhas de sucata, sentindo-se mais exposto do que jamais estivera. Rico Marlon esperava, sentado no trono improvisado de um assento de nave antigo, polindo o brilhante *Cortex-9* com um pano.
“Você é o fantasma?”, perguntou Rico, sua voz ecoando no vasto espaço.
“Eu sou um comprador”, respondeu a voz sintética do androide.
Rico riu, um som áspero e quente. “Não. Você é o fantasma. Pode ver nos seus… movimentos. Muito certos, muito fluidos. Ninguém que vive num corpo anda assim.” Ele se levantou, aproximando-se. “Por que você quer isso tão mal?”




