Alexandro Cabrera, Bastian Karim, Charlie Cherry, MrDeepVoice group fuck – Members Only 3

O estúdio de gravação “Velvet Box” era uma cápsula à prova de tempo, isolada do mundo pelo ruído branco do ar-condicionado e pela escuridão eterna das suas paredes acústicas. Era ali que o podcast de verdadeiro crime Sussurros na Escuridão ganhava vida, todas as madrugadas de quinta-feira.
Alexandro Cabrera era o cérebro. O pesquisador metódico, cuja mesa era um labirinto organizado de transcrições, mapas de relações e fotos em preto e branco. Sua voz era suave, persuasiva, e ele tecia as narrativas com uma precisão de ourives. O caso era tudo.
Bastian Karim era o coração. O produtor e editor de som, um mago dos fones de ouvido que podia extrair um suspiro significativo de duas horas de gravação bruta. Sensível e intuitivo, era ele quem escolhia a trilha sonora sombria, os efeitos que faziam o ouvinte arrepiar. Ele sentia a história.
Charlie Cherry era o sangue novo. A estagiária explosiva e hiperconectada, responsável pelas redes sociais e pela investigação de fóruns online obscuros. Trazia teorias malucas, ângulos inesperados e uma energia contagiosa que desafiava o cansaço das madrugadas. “E se o mordomo fosse a vítima *e* o assassino, mas em linhas do tempo diferentes?” era um tipo de pergunta que ela fazia.
E, claro, havia MrDeepVoice. A voz emblemática do podcast. Ninguém sabia seu nome real. Ele chegava minutos antes de gravar, com seu café preto, e transformava o texto minucioso de Alexandro em uma experiência visceral. Sua voz era um instrumento de baixo profundo e textura aveludada que dava vida aos monstros e às vítimas com igual humanidade. Era a persona perfeita, impenetrável.
A dinâmica era clara: Alexandro e MrDeepVoice eram os pilares sérios. Bastian, o artista melancólico nos bastidores. Charlie, o furacão que agitava todos.
A fissura apareceu durante a investigação de um caso particularmente sombrio. Alexandro, imerso demais, bateu em um bloqueio criativo. As peças não se encaixavam. A tensão no estúdio era palpável.
Foi Charlie, fuçando em um fórum esquecido, quem encontrou a pista crucial: uma foto de local alterada digitalmente. Bastian, com seus recursos, conseguiu recuperar a imagem original em uma noite de trabalho intenso. Era a peça que faltava.
Na madrugada da gravação decisiva, algo estava diferente. MrDeepVoice, ao ler uma passagem particularmente emocional escrita por Alexandro, vacilou. Uma pausa longa demais. Um suspiro que não estava no script. Bastian, nos controles, não a cortou. Manteve-a. Era humana. Era real.
Após a gravação, enquanto Charlie celebrava freneticamente e Bastian começava a edição, Alexandro se aproximou da cabine de som. MrDeepVoice ainda estava lá, a cabeça entre as mãos.
“Está tudo bem?”, perguntou Alexandro, sua voz pesquisadora suave, mas genuinamente preocupada.
A figura que se virou não era mais a persona imponente. Era um homem cansado, com olhos que haviam visto muito da escuridão sobre a qual narravam.
“Esse caso…”, a voz de MrDeepVoice estava rouca, sem o filtro do microfone. “A vítima. Ela se parecia com minha irmã.”




