Monster Cock – John Brachalli and Sir Peter fuck
A cidade de Oxford era um manuscrito antigo, suas pedras milenares inscritas com histórias de reis e poetas. Em um gabinete estreito do Merton College, iluminado apenas por uma lâmpada verde de mesa, **Sir Peter** afundava-se em sua última grande obra: uma biografia do obscuro filósofo renascentista Aloysius Brachalli. Era um cavaleiro da rainha, historiador de renome, um homem cuja vida era ordenada como um índice bibliográfico. Mas Aloysius era um enigma, um quebra-cabeça que faltava a peça central: o paradeiro de seus diários pessoais.
A pista o levou a uma livraria de beco, escondida entre os arcos de uma ruela medieval. A placa na porta balançava: “Brachalli & Sons – Livreiros desde 1721”. O interior era um labirinto de papel, uma caverna de Aladim cheirando a couro e poeira sagrada. E atrás do balcão, debruçado sobre um volume com a lombada partida, estava **John Brachalli**.
Sir Peter esperou um ancião, um erudito com óculos grossos. Em vez disso, encontrou um homem na casa dos trinta, com as mangas da camisa xadrez arregaçadas até os cotovelos, tinta de carimbo nos dedos e um olhar tão direto e despretensioso que fez o historiário, por um segundo, esquecer sua frase de abertura cuidadosamente preparada.
“Sir Peter, suponho”, disse John, sem levantar os olhos completamente do livro. “O reitor me avisou que você viria farejar. Ainda não encontrei os diários do velho Aloysius. Se é que existem.”
A voz era áspera, do norte, um contraste marcante com o tom polido e preciso de Sir Peter. “Sua família guardou a correspondência dele por séculos”, retrucou Peter, tentando retomar a autoridade. “É inconcebível que os diários tenham se perdido.”
John finalmente ergueu o olhar. Seus olhos eram da cor do carvalho velho. “Na minha família, Sr. Cavaleiro, nós *vivemos* com os livros, não apenas os estudamos. Algumas coisas se perdem de propósito. Talvez Aloysius não quisesse ser completamente descoberto.”
Foi um desafio. E Sir Peter, acostumado a decifrar manuscritos, nunca encontrara um código tão fascinante e irritante quanto aquele descendente do seu objeto de estudo. Ele começou a visitar a livraria diariamente. John era um caos organizado, sabia a localização exata de cada livro por instinto, mas seus registros comerciais eram um desastre. Enquanto Peter se perdia em busca de uma anotação marginal de 1589, John consertava a porta rangente, fazia chá forte demais e contava histórias dos clientes excêntricos que passavam pela loja.
O contraste era absoluto. Peter, o aristocrata do intelecto, metódico e reservado. John, o artesão das palavras, prático e enraizado. O cavaleiro vivia no passado; o livreiro, no presente tangível de couro e papel.
A descoberta aconteceu numa tarde chuvosa. Sir Peter, frustrado, remexia uma pilha de encadernações soltas no sótão. John, subindo a escada com duas xícaras, parou ao vê-lo.
“Para”, disse John, suavemente. “Você está procurando como um soldado. Não é assim que se encontra uma coisa dessas.” Ele colocou as xícaras no chão, aproximou-se e, com um gesto que era quase um toque, moveu a mão de Peter para longe de uma pilha, direcionando-a para uma viga aparente no canto. “Procure com as mãos, não com os olhos. Sinta o lugar.”
Peter, com o pulso ainda quente onde os dedos de John o tocaram, obedeceu. Sua mão deslizou sobre a madeira áspera até encontrar uma irregularidade. Um painel minúsculo, quase invisível, cedeu. Lá dentro, envoltos em tecido de linho encerado, estavam os três pequenos volumes dos diários de Aloysius Brachalli.
Não foi o triunfo acadêmico que Peter esperava. Foi um momento de quietude íntima, compartilhada na poeira do sótão, com a chuva batendo na claraboia. Ele olhou para John, cujo rosto estava iluminado por um sorriso pequeno e genuíno.
“Aqui está sua joia da coroa, Sir Peter”, sussurrou John.
Peter abriu o primeiro volume. A caligrafia era densa, complexa. Mas nas páginas finais, uma entrada mais simples, quase uma confissão, falava não de filosofia, mas do amor por um jovem encadernador de Florença, um amor “tão claramente inscrito na alma como letras numa página, e tão impossível de revelar ao mundo quanto este diário é de encontrar”.
Peter ergueu os olhos. O ar no sótão parecia diferente, carregado de uma verdade que tinha séculos, mas que soava urgente. John estava perto, seu olhar fixo na página, depois nos olhos de Peter.
“Ele escondeu sua verdade”, disse Peter, a voz um fio de som.
“Para protegê-la”, completou John. “Ou para dar a alguém, no futuro, a alegria de encontrá-la.”
Sir Peter fechou o diário. O maior descobrimento da sua carreira não era sobre Aloysius. Era sobre o silêncio que se quebrou entre ele e John, sobre a atração que ele, meticulosamente, vinha arquivando em uma gaveta mental marcada “impróprio”.
John Brachalli não era uma peça de arquivo. Era um homem. E Sir Peter, pela primeira vez, queria conhecer um homem, não um sujeito histórico.
Monte Carlo esperava Sir Peter para uma palestra. A bolsa de estudos internacional esperava. Seu mundo ordenado esperava.
Ele não foi.
Ficou em Oxford, na livraria do beco, ajudando a reorganizar as estantes. A biografia de Aloysius Brachalli foi publicada, um sucesso crítico. O capítulo final, porém, era bem diferente do planejado. Não terminava com a morte do filósofo. Terminava com uma nota de agradecimentos, onde Sir Peter, pela primeira vez em sua carreira, usou apenas as palavras pessoais:
*”A John Brachalli, que me ensinou que a história mais importante não está nos volumes encadernados, mas na história que se decide viver. Esta obra, e este autor, são para sempre seus.”*
E em uma estante baixa, ao lado da porta da livraria “Brachalli & Sons”, agora repousa uma pequena placa de bronze, ao lado de uma poltrona desgastada: **”Reservada para Sir Peter. Proprietário, de coração.”**




