Apollo Fates, Arty Boer – Fist + fuck edition – Kunckleffuck
A história dos deuses do Olimpo era a especialidade de Apollo Fates. Em seu pequeno estúdio de tatuagem no centro da cidade, as paredes eram adornadas com Nike aladas, Zeus furiosos e Afrodites sensualizadas. Ele era um contador de mitos com agulhas, transformando a pele em pergaminhos de histórias antigas. Seu toque era preciso, seu traço, clássico e limpo. Sua própria vida, no entanto, era uma repetição monótona: linhas pretas, tinta vermelha, e o zumbido constante da máquina.
Arty Boer era o caos personificado. Um artista de rua que pintava murais explosivos nos becos esquecidos da cidade. Suas obras não tinham deuses, tinham gigantes de cores psicodélicas, animais híbridos feitos de sonhos e pesadelos, e slogans rabiscados que misturavam poesia e protesto. Ele cheirava a tinta spray, café barato e energia pura.
Seus mundos colidiram no muro de tijolos atrás do estúdio de Apollo. Arty, em uma noite de inspiração frenética, cobriu-o com um mural de um cervo alado cujos chifres eram galáxias em espiral, e cujos olhos refletiam a janela do estúdio. Era desordenado, vibrante e ilegal.
Apollo viu pela janela do banheiro na manhã seguinte. Ficou paralisado. Não pela audácia, mas pela beleza. Era uma mitologia nova, nascida não do passado, mas do asfalto e da insônia. Ele deveria ficar irritado. Em vez disso, pegou um café extra e saiu.
“Você pinta sobre deuses antigos”, disse Apollo, parado ao lado de Arty, que olhava para sua obra com a crítica de um artista.




