Victor Aleph and Florian Hole fuck – Santa’s Sack
Victor Aleph vivia nos altos. Como vigia do Observatório do Vazio, sua vida era uma liturgia de números e silêncio. Seu trabalho era monitorar um pequeno quadrante do céu noturno, à espera de um sinal, uma anomalia, qualquer coisa que quebrasse a perfeita e imensa solidão do cosmos. Sua torre de concreto e vidro era a coisa mais próxima do espaço na Terra: fria, isolada, povoada apenas por zumbidos eletrônicos e a vastidão indiferente das estrelas.
Florian Hole vivia nos baixos. Era o jardineiro do antigo cemitério que circundava a base da colina do observatório. Enquanto Victor catalogava a morte de estrelas a bilhões de anos-luz, Florian cuidava da vida que insistia em brotar entre as lápides. Ele conhecia o nome de cada trepadeira, sussurrava para as sementes, e suas mãos, sempre manchadas de terra, pareciam trazer uma magia verde e persistente do solo.
Eles se cruzavam na estrada de cascalho que levava à colina. Victor, de uniforme cinza, descia para seu dia de folga com a postura rígida de quem carregava o peso do vazio. Florian, de camisa de flores desbotada e botas enlameadas, subia com sua sacola de ferramentas, cantarolando. Um olhar breve, um aceno distante. O homem do céu e o homem da terra. Dois universos paralelos que nunca colidiam.
Para Victor, Florian era uma perturbação. Um ponto de cor e som irrelevante no seu campo de visão perfeitamente calibrado. Para Florian, Victor era uma sombra interessante, uma estátua triste que precisava de um pouco de sol.




