Can I Ride You Until You Cum – Liam Arnolds and Mr Big Peach fuck

Na cidade portuária de Bristol, onde o vento carrega o cheiro de sal e histórias antigas, dois homens viviam vidas que eram reflexos distorcidos uma da outra.
**Liam Arnolds** era um mestre relojoeiro. Sua loja, “Arnolds & Filhos”, embora o “& Filhos” fosse agora apenas uma esperança melancólica, ficava em uma viela de paralelepípedos. O mundo de Liam era de engrenagens microscópicas, de pêndulos oscilantes com precisão suíça, de silêncio absoluto quebrado apenas pelo tique-taque constante de uma centena de corações mecânicos. Suas mãos, finas e estáveis, conseguiam ressuscitar um relógio de bolso do século XVIII ou consertar o cronômetro de um capitão aposentado. Ele acreditava que o tempo era uma coisa a ser medida, contida, compreendida. Sua vida era uma tentativa de domá-lo, peça por peça.
Do outro lado do cais, em um armazém reformado pintado de um rosa desbotado que desafiava a névoa cinzenta, operava **Mr. Big Peach**. Ninguém sabia seu verdadeiro nome. Ele era um negociante, um importador de “especiarias raras e delícias esquecidas”. Seu negócio era o sabor, o aroma, o instante efêmero que explode na língua e depois some. Em seu armazém, sacas de pimenta-da-jamaica cheiravam a fumaça doce, baunilha negra do Madagáscar enchia o ar com seu perfume embriagante, e pilhas de chocolate raro derretiam-se quase imperceptivelmente no calor das lâmpadas. Mr. Big Peach era um homem grande, de risada fácil e colete colorido, que acreditava que o tempo era para ser *saboreado*, não medido. “Um segundo de prazer, meu caro, vale mais que mil horas de tédio!”, era seu lema.
Seus caminhos nunca deveriam ter se cruzado. Liam considerava o comércio de Big Peach uma frivolidade barulhenta; Big Peach achava a loja de Liam um mausoléu de horas mortas.
O ponto de encontro foi um objeto singular: um relógio de parede francês do século XIX, encontrado por Big Peach em um leilão de espólios de navio. O relógio era uma beleza barroca, com figuras de cerâmica de camponeses dançando ao redor do mostrador. Mas estava parado, morto. E Big Peach, por um capricho, queria que ele funcionasse novamente em seu escritório. “Para dar charme!”, ele dissera ao entregá-lo na loja de Liam.
Liam aceitou o trabalho com relutância. Ao abrir o relógio, descobriu que não era apenas a mola mestra que estava quebrada. Escondido atrás do mecanismo, havia um compartimento secreto. E dentro dele, não havia joias ou documentos, mas um pequeno pacote de couro, contendo uma quantidade ínfima de um pó de cor âmbar escuro, com um aroma complexo e profundíssimo de madeira, fruta passada e um toque salgado.
Intrigado, Liam levou uma partícula à língua. Não era um veneno, nem uma droga. Era… uma memória. Uma explosão de sensações que o transportou instantaneamente para a doca em um dia de verão há quarenta anos, o gosto específico de um doce que sua mãe fazia, o cheiro do casaco de seu pai. Era o tempo capturado não em engrenagens, mas em sabor.
Fascinado e perturbado, Liam foi confrontar Big Peach.
“Ah! Você encontrou minha ‘Vagem do Tempo’!”, exclamou Big Peach, sem surpresa. “Não é uma especiaria para comer. É uma… lembrança cristalizada. Colhida de uma árvore que só floresce a cada cinquenta anos em uma ilha que não existe nos mapas. Uma gota pode preservar um momento perfeito para sempre.”
Liam ficou horrorizado. “Isso é uma abominação! O tempo não é para ser engarrafado como geleia! É um rio. Você está roubando pedaços dele!”
“E você, meu caro relojoeiro, não passa dele um carcereiro?”, retrucou Big Peach, sua habitual alegria dando lugar a uma seriedade súbita. “Trancando-o em caixas de metal, ditando seu ritmo a todos. Pelo menos eu ofereço às pessoas a chance de reviver uma felicidade perdida.”
A discussão se acalorou, mas foi interrompida por um cliente de Big Peach: um homem velho e triste, cuja esposa havia falecido recentemente. Ele comprou uma pequena quantidade do pó âmbar. “Ela fazia um bolo de limão…”, sussurrou o homem, com os olhos cheios de lágrimas. “Só quero me lembrar do gosto.”
Ao ver aquilo, a fúria dogmática de Liam esvaiu-se. Ele não via um ladrão de tempo, mas um curandeiro de corações partidos. E Big Peach, ao observar o olhar de Liam, não via mais um carcereiro, mas um artesão que amava o tempo com uma devoção profunda.
Liam consertou o relógio. Mas fez uma modificação. Em vez de bater as horas com um simples “dong”, as figuras de cerâmica agora se moviam em uma valsa lenta a cada meia-hora, e um mecanismo ocasional liberava uma ínfima nuvem do pó âmbar no ar, perfumando o ambiente com a memória de um momento que nunca foi de ninguém, mas que era universalmente reconhecível como “felicidade”.
Quando Big Peach viu e sentiu o relógio funcionando, sua risada grande ecoou pelo armazém. “Brilhante, Arnolds! Absolutamente brilhante! Você uniu nossos ofícios!”
Liam permitiu um pequeno sorriso. “O tempo não é só para medir, nem só para saborear. Às vezes, é para ser… *vivenciado* novamente. Com um pouco de ajuda.”
A partir daquele dia, uma parceria peculiar floresceu. “Arnolds & Big Peach: Cronologia e Sabor” não era exatamente o nome, mas era o que faziam. Liam criava relógios e caixas de música engenhosas que, em momentos especiais, liberavam as “Memórias Aromáticas” de Big Peach. E Big Peach vendia suas especiarias com pequenos cronômetros de bolso de Liam, marcando o tempo exato de infusão para o chá perfeito.
O mestre do tempo mecânico e o mercador de instantes etéreos descobriram que, no fundo, ambos veneravam a mesma coisa: a passagem irremediável e preciosa da vida. Um tentando preservar seu ritmo, o outro, sua essência. E juntos, em sua estranha aliança, ofereciam às pessoas um consolo raro: a beleza do agora, e a doce tristeza de poder revisitá-lo, mesmo que só por um segundo, no aroma de uma xícara de chá ou no tique-taque de um relógio antigo.




