Zalthy Sanz & Liam Harding – a mutual sucking match

Zalthy Sanz colecionava cores. Não em telas ou cadernos, mas em pequenos frascos de vidro que alinhava na estante do apartamento minúsculo. Azul da manhã, verde das folhas depois da chuva, amarelo do táxi que passou quando ela mais precisava de um sinal.
Liam Harding entregava flores. Não por profissão — era músico — mas porque achava que todas as pessoas mereciam um gesto sem motivo.
Conheceram-se num sábado de chuva. Liam entrou no prédio errado, com um ramo de girassóis para uma destinatária que não existia. Zalthy abriu a porta do 3º esquerdo e ficou imóvel.
— Perdi-me — disse ele.
— Acho que te encontraste — respondeu ela.
Liam entrou. Viu os frascos na estante, a luz a atravessá-los. Pegou num deles, cor de laranja-pôr-do-sol, e segurou contra a janela.
— Esta cor — murmurou — tem o teu nome.
Zalthy sorriu. Ninguém lhe tinha dito aquilo. Ninguém tinha visto as suas cores como mais do que manias.
— Fica — pediu ela. — Ajudas-me a encontrar cores novas.
Liam ficou. E nos meses seguintes, descobriram que há cores que não existem em frascos: a do primeiro beijo, a do silêncio partilhado, a do amor quando finalmente cabe dentro de casa.




