William Seed acreditava que tudo na vida tinha um preço. Ruggery Valdivia acreditava que as melhores coisas vinham do acaso. Eles se conheceram num ferro-velho, onde William tentava vender um motor enferrujado e Ruggery procurava uma peça que nem sabia o nome.
— Cinquenta — disse William, sem tirar os óculos escuros.
— Dez — respondeu Ruggery, mexendo no motor com a curiosidade de quem desmonta o mundo para entender como ele funciona.
— Trinta e fecha.
— Quinze e você me ensina o que esse negócio fazia antes de quebrar.
William hesitou. Ninguém nunca tinha pedido a história, só o preço.
— Era de uma caminhonete que levou meu pai para todo lugar — disse, finalmente. — Até o dia em que não levou mais.
Ruggery parou de mexer, olhou para o homem à sua frente e ofereceu vinte.
— Pago vinte. Mas você dirige. Quero ver o caminho que ele fazia.
William guardou os óculos. Pela primeira vez em anos, um motor velho ganhou um destino novo, e dois estranhos saíram juntos para conhecer a estrada.

