**Ferraz e Samir: Desenho do Destino**
Victor Ferraz era tatuador, especialista em transformar dores em arte. Samir era bibliotecário, vivia entre páginas amareladas e silêncio. Nunca cogitaram se encontrar — até que Samir entrou no estúdio de Victor com uma foto desbotada nas mãos.
— Quero tatuar isso — disse Samir, mostrando um desenho infantil: dois bonecos de mãos dadas.
— É especial? — perguntou Victor, preparando os materiais.
— Meu avô fez para minha avó. Eles se amaram por 60 anos. Quero honrar isso.
Enquanto a máquina zunia, Victor ouviu Samir contar histórias de um amor antigo. Achou lindo como Samir valorizava algo tão simples. Ao terminar, Victor limpou a pele e sussurrou:
— Queria que alguém um dia guardasse minha arte assim.
Samir olhou nos olhos dele e respondeu:
— Quem disse que não vou guardar?
Victor sentiu o coração acelerar. Samir sorriu e, antes de sair, deixou um bilhete no balcão: “Quero outra tatuagem. Dessa vez, seu nome. Aceita?”
Na semana seguinte, Victor tatuou “Samir” no próprio braço. E Samir tatuou “Victor” no peito. Não por moda, mas por promessa. E entre agulhas e livros, descobriram que o amor mais bonito é aquele que a gente escolhe eternizar.

