Trying to Redeem Myself – Arno Antino, Chuck Conrad
Arno Antino era um ferreiro, um homem que domava o ferro com fogo e força bruta. Chuck Conrad, o relojoeiro da oficina ao lado, domava o tempo com pinças e lentes, em um silêncio quase religioso.
O martelo de Arno e o tique-taque dos relógios de Chuck ditavam o ritmo da rua. Eles se cruzavam às vezes, trocando um aceno seco. Arno achava Chuck meticuloso demais. Chuck achava Arno barulhento demais.
Até que um dia, uma peça vital do mecanismo de um relógio antigo de Chuck quebrou. Era uma pequena haste de aço, impossível de encontrar pronta. Desolado, Chuck levou os pedaços até a forja.
“Precisa ser exata”, disse, mostrando o desenho.
Sem dizer uma palavra, Arno aqueceu o metal. Seus músculos se moviam com uma fúria concentrada, mas suas mãos, no momento final, eram de uma delicadeza infinita. Ele forjou não uma, mas três hastes, perfeitas.
Chuck ficou maravilhado. “Como…?”
“O tempo é importante”, respondeu Arno, suando e sério. “E você cuida dele.”
Dali em diante, o tique-taque da relojoaria ganhou a companhia do ritmo constante da forja. Dois mestres de ofícios opostos descobriram que a paciência e a força, quando unidas, podiam criar algo mais raro que um relógio perfeito: um tempo compartilhado.




