Tony Genius, Christopher White

Tony Genius atravessou o estacionamento com a pasta debaixo do braço, os óculos escuros refletindo o sol forte das duas da tarde. Parou diante da oficina desbotada, leu a placa: “White’s Repairs. Desde 1987.”
Lá dentro, Christopher White limpava as mãos num pano ensebado. Era um homem grande, braços marcados por cicatrizes de queimaduras antigas.
“Preciso que olhe isso”, Tony disse, colocando a pasta sobre o balcão.
Christopher nem olhou. “Não me diga. O carro importado do seu chefe não pega.”
Tony ergueu as sobrancelhas. “Como soube?”
“Placa vermelha, terno italiano, pressa.” Christopher limpou uma chave inglesa. “Toda semana aparece um igual.”
Tony abriu a pasta. Fotos do motor, especificações. “Podem pagar bem.”
Christopher pegou as fotos, estudou por um momento. “Problema elétrico. Coisa fina.”
“Consegue resolver?”
O mecânico devolveu as fotos. “Consigo. Mas não vou.”
Tony franziu o cenho. “Por quê?”
Christopher apontou para a janela. Lá fora, um Fusca azul esperava. “Aquele é do Seu Joaquim. Freio estourou. Ele precisa do carro hoje pra levar a neta no médico.”
Tony guardou a pasta, lentamente. “Entendo.”
Christopher voltou ao Fusca. “Talvez outro dia.”
Tony saiu para o sol, parou um instante. Depois entrou no carro importado e foi embora, os óculos escuros ainda refletindo a oficina silenciosa.




