Tommy Seidler vs Tomas Dolnak – wrestling leads jerking

**Tommy Seidler** tecia silêncios. Na última gráfica da cidade, suas midas operavam uma prensa de 1902, transformando papel branco em convites de casamento, obituários e anúncios—palavras de momentos finitos.
**Tomas Dolnak**, por outro lado, colecionava ecos. Ele perambulava pelo mercado de pulgas, resgatando livros rasgados, cartas de amor descartadas, recibos esquecidos. Em seu apartamento, colava esses fragmentos em grandes telas, criando um mosaico cacofônico de vidas alheias.
Um dia, Tommy recebeu uma encomenda peculiar: uma pilha de papéis imaculados, com uma nota. “*Imprima o vazio. Assinado, Dolnak.*”
Intrigado, Tommy entregou a encomenda—folhas perfeitamente em branco. Tomas as recebeu com um sorriso. Em seu estúdio, ele rasgou cada folha e as colou em uma tela gigante, deixando um espaço vazio perfeito no centro.
Quando Tommy viu a obra, ficou perplexo. “É apenas um buraco.”
“Não”, corrigiu Tomas, apontando para os fragmentos de histórias que cercavam o vazio. “É a única página que todas as minhas histórias compartilham. O silêncio que você imprime é o palco onde todas as vozes ressoam.”
Tommy, pela primeira vez, viu seu ofício não como um fim, mas como um começo. Juntos, o tipógrafo e o colagista entenderam: toda história nasce de um silêncio bem posicionado, e todo eco carrega o vestígio do vazio que o criou.




