Tiago Santana Rides Michael Lucas’s Cock – Friends with Benefits
Tiago Santana acordou cedo, como sempre. Obra nova, patrão novo, vida velha de levantar paredes e juntar sonhos.
No intervalo do almoço, sentou-se na soleira da obra com a marmita. Foi quando um carro preto parou no portão. Desceu um rapaz de roupa cara, óculos escuros, ar de quem não pisa terra batida há muito tempo.
– Tiago Santana? – perguntou.
– O próprio.
O rapaz tirou os óculos. Olhos cansados, olheiras fundas.
– Sou Michael Lucas’s. O teu filho.
Tiago deixou cair a colher.
– Isso não é possível. O meu filho chama-se…
– Miguel. Miguel Santana. Mudei de nome quando comecei a cantar. Michael Lucas’s. É nome artístico.
Tiago olhou para o rapaz. O mesmo sorriso torto da mãe. As mesmas mãos grandes, iguais às dele.
– Vieste… cantar?
– Vim pedir desculpa. Disse que era vergonha ter um pai pedreiro. Lembras-te?
Tiago engoliu em seco. Lembrava.
– Agora – Michael sentou-se ao lado – descubro que a única coisa que não me envergonha és tu.
Tirou do bolso um papel. Um desenho antigo, de quando era pequeno: dois bonecos de palito, um grande, um pequeno. “Pai e eu”.
Tiago segurou o papel. As mãos caleizadas tremeram.
– Fica para o almoço? – perguntou, a voz sumida.
Michael sorriu.
– Fico. E canto depois, se deixares.
– Deixo. Mas só se cantares sentado aqui na soleira.
E cantou. Para o pai. Para os pedreiros. Para a obra.
Foi o melhor concerto da vida dele.






