Tex Hudson and Johnny Donovan fuck – Part 1

O bar era o mesmo: The Dusty Spur, uma ilha de verniz e nostalgia no meio da cidade. Tex Hudson ainda reinava ali, com seu chapéu, seu sorriso de letreiro e suas histórias de um Oeste que só existia em sua imaginação e nos filmes que devorava. Mas algo havia mudado. Desde o episódio com o alfaiate Choloso, Theo (o homem por trás do Tex) não conseguia mais se entregar totalmente à farsa. Suas “yeehaws” soavam um pouco ocos, e seus olhos, por trás do brilho forçado, procuravam algo real no meio da multidão de rostos embriagados.
Foi numa dessas noites, enquanto cantava uma balada de Johnny Cash meio desafinada no karaokê, que ele viu Johnny Donovan pela primeira vez. O homem não se parecia com seu público habitual. Não usava camisa xadrez nem botas. Vestia um casaco de couro simples sobre uma camiseta preta, jeans escuros e parecia ter chegado diretamente de um turno noturno, com olheiras profundas e uma postura que era uma mistura de exaustão e alerta constante. Ele estava sentado no fim do bar, bebendo um uísque com água, observando a sala com um olhar que não era de diversão, mas de análise. Era um cão de guarda num galinheiro barulhento.
Tex sentiu o olhar sobre si durante a música. Não era o olhar de admiração de uma fã, nem o olhar crítico de um cliente bêbado. Era um olhar que parecia vê-lo através da performance. Quando a música acabou e os aplausos de praxe começaram, o homem no fim do bar apenas inclinou levemente a cabeça, num gesto quase imperceptível.
Intrigado, Tex foi até o bar, pediu uma cerveja e se apoiou perto do estranho.
— “Não é muito seu estilo, né, amigo?” disse Tex, acionando a persona.
O homem virou-se devagar. Seus olhos eram de um cinza claro, como pedra molhada.
— “O bar ou a performance?” perguntou, a voz surpreendentemente baixa e áspera, como se fosse pouco usada.
Tex riu, um pouco desconfortável. — “Os dois, suponho.”
— “O bar tem um bom uísque. A performance… é dedicada.”
Foi a crítica mais gentil e devastadora que Tex já recebera. “Dedicada” significava que ele estava tentando. Não que estava conseguindo.




