Sven Basquiat e Enrique Vera eram rivais em tudo, mas concordavam numa coisa: o enigma do farol velho. Dizia-se que, a cada lua cheia, uma luz dançava lá dentro, mesmo sem lâmpada.
— Aposto que é refração, Sven. Ciência básica. — Enrique ajustou os óculos.
— Aposto que é poesia, Enrique. Algo que você nunca entendeu.
Subiram as escadas em silêncio. No topo, nenhuma luz, apenas o vento uivando. Sven acendeu um fósforo para ler as inscrições na parede: nomes de pescadores perdidos no mar. Enrique tocou uma data: a do próprio avô, que nunca voltara.
Então a luz surgiu — suave, azulada — refletindo no vidro quebrado. Não era magia, nem ciência pura. Era memória.
— Talvez os dois — murmurou Enrique.
Sven sorriu, colocando a mão em seu ombro. Pela primeira vez, não houve vencedor. Apenas dois homens compartilhando o mesmo clarão.
