Sven Basquiat e Dylan Maguire eram ladrões, mas de um tipo raro: roubavam apenas coisas que ninguém sentia falta. Um relógio parado. Um guarda-chuva que nunca seria aberto. Um retrato virado para a parede.
— Isso não é crime, Sven. É poesia inútil. — Dylan reclamava, mas sempre segurava a lanterna.
Naquela noite, invadiram uma mansão abandonada. No sótão, encontraram uma caixa de cedro com o nome “Eliza”. Dentro: cartas nunca enviadas, um anel de cabelo e um mapa desenhado à mão de um lugar que não existia.
Dylan quis devolver.
— Não tem dono — disse Sven.
— Tem, sim. A saudade.
Sven fechou a caixa, guardou-a debaixo do braço e, pela primeira vez, saiu sem levar mais nada. Caminharam em silêncio pela rua molhada. Dylan acendeu um cigarro.
— Amanhã a gente devolve pro espólio?
— Amanhã a gente descobre onde é esse mapa.
Dylan riu. Dois ladrões perdidos, roubando de si mesmos a certeza do próximo passo.
